O dia começou como todos os dias.
Um despertar, de uma noite de sonhos, que inundam constantemente a minha noite.
Fazendo como sempre acordar como me deito, cansado. Por vezes penso mesmo que vivo duas vidas. Uma acordado outra num outro lado. Essa outra surge quando esqueço este corpo, esta prisão que me prende a um mundo de sentir.
Na minha memória tenho presente a primeira vez que tive consciência de mim, aqui, deste lado. Acordar do lado da carne, do lado do sentir… pensar na razão de estar aqui, o sentimento de confuzão e a voz da minha mãe… e lembro-me de sentir…
Vivo fascinado com o sentir desde que me lembro. Lembro-me da cigana que me leu a sina, de todas as vezes que acordei apavorado, com o que sentia e via… O medo que se entranhava em mim, quando acordava e acordado… ficava preso entre dois mundos. Um pavor para uma criança, que mal aprendeu a sentir… Os meus pais acompanhavam tudo, principalmente a minha mãe. Mesmo sem perceber, estavam lá… e me passeavam às altas horas da noite, para que eu me reencontrasse. O tempo passou e o medo passou, acostumei-me a ser uma mistura de cá e lá… deixei de temer o outro lado nada mais temi aqui.
Descobri que só há uma Verdade, que tudo o que nos rodeia é feito á medida de poucos, que controlam a vida de todos e os sistemas sociais são música de embalar… para beneficio de uns poucos… mas supostamente para todos. Que o dinheiro nos dá um segurança falsa de ser Deus, e quanto mais dinheiro temos, mais pensamos que podemos tudo… O poder o ser é hoje medido em Moeda.
Descobri assim, que os mais pobres, são aqueles que nos seus palácios, plenos de felicidade… pensam que são invejados por todos… mas a verdade navegam de moeda em moeda de lugar em lugar procurando a felicidade… infelizmente nunca a vão encontrar, pois esse não é definitivamente o caminho. Vivem de medo em medo, de incerteza em incerteza. Crianças que vão de brinquedo em brinquedo sem nunca saciar a necessidade de ter e sempre cada vez mais vazio. Estas pessoas muitas vezes são tão pobres como o mais pobre dos pobres, mesmo tendo tudo.
Nunca quis esse caminho para mim… logo procurei em todos os lados a razão de Viver.
Pois olhava á volta e apenas via cadáveres que se alimentam, trabalham, dormem e procriam… bebem… vagueiam, completamente vazios… ostentando e mostrando… afirmando-se ou por falar mais alto, pela arrogância, pelo poder que o dinheiro dá… ou pelo poder da mentira.
Decidi-me pelo sentir, e seguir o pior dos caminhos, viver em verdade, e na procura constante da primeira Verdade, aproveitando a vida como uma personagem de um livro. Seguindo unicamente o que sinto, sem medo do que os outros pensam e sim sempre na Verdade. De aventura em aventura de tesouro em tesouro tentando encontrar a razão primeira de estar aqui.
A primeira coisa a saber, o inferno é a mentira, se querem saber se o mal existe, basta seguir a mentira… quem mente tem mais sucesso é mais "feliz", tende apenas a preocupar-se consigo, mesmo que diga que mente pelo bem-estar dos outros. Este para mim é o pior mal do mundo, e é este mal que como meu exemplo tento banir da terra.
Um noite olhando para cima, para aqueles pontos cintilantes, que nos fitam, pensava:
Quantas Estrelas há no céu? A resposta que me ocorreu prontamente; - Tantas como as lágrimas do meu sentir.
Assim o sentir é a razão de viver, e do sentir três são realidades a seguir, Fé, Esperança e Amor.
Sentir a Fé, de que nem tudo o que vemos é na realidade, e temos que despertar esse sentir para procurar além do que simplesmente vê-mos com os nossos órgãos dos sentidos. Principalmente os olhos, ouvidos e mãos.
Sentir a esperança, procurando aqueles que sabem que a vida é feita de pequenas coisa que nos fazem sorrir, sabendo que, há mais gente que é diferente e que um dia o mundo voltará ao caminho da Verdade.
Amor, talvez o mais difícil de explicar hoje, pois a carne está mais presente, do que o que sente. Não acredito no amor livre, no petiscar da carne. Acredito no Amor em todas as suas formas… mas acho que deixo esse sentir para outra altura, pois é o mais complicado dos sentimentos e também é o mais forte.
Em poucas palavras este sou eu… despido de tudo o que não é, vestido de tudo aquilo que sinto.
Com um único caminho na vida a Sabedoria dada pela aplicação do conhecimento e do sentir, sempre em função dos outros.
Sempre com o Sentir do mundo em mim, e esperando o dia em que o Império do espirito Santo, volte a Brilhar. Volte a nascer no homem o desejo se ser livre na Verdade, na Honra ao serviço dos outros, não por mim senhor mas sim em vosso nome.