domingo, 7 de agosto de 2011

A Cama de Pedra

A água é um ser sagrado, tal como o Sol e a Terra, produz um triângulo de amor… Que permite a vida.
Assim todos os momentos que posso fugir do mundo dos homens, deixo que estes três elementos me acarinhem, me envolvam em seu ventre e me deixem entrar num mundo que não é meu.
Vedado à cegueira dos homens, porque esqueceram a humildade e o sabor das coisas simples, como Amar.
O que vos vou contar hoje é apenas o seguir de um beijo.
A vida é feita de coisas mágicas, Momentos mágicos…
Passo, e mais um passo…
Bebendo da música que só um ribeiro pleno de vida pode compor.
As gotas de água que saltam de rocha em rocha, os salpicos… que voam para as folhas, escorregam por elas para voltar ao ribeiro em grande algazarra… o nevoeiro produzido por uma cascata, faz de uma paisagem só por si… linda… para a tornar em misteriosa, mágica.
Todo este lugar provocou em mim suspirar tão profundo, que quase apaguei o meu fogo de vida…
Faz-me fechar os olhos, e adormecer…
Deitado, entorpecido… embebido… embriagado talvez de tanta beleza…
Sinto algo na boca, molhado, que escorre pela boca, frio…
Lentamente de olhos semi –abertos…
Acordo...
Um segundo beijo…
Um novo sentir.
A mesma Luz, o mesmo sorriso…
Mas no entanto diferente,
Aquela cascata de água,
Que escorreu pela minha boca, não poderia ser um beijo!!! Ou talvez fosse!!!
Será que a alma do ribeiro, se desviou do seu caminho, apenas para me beijar?
Fez esquecer tudo… A água, que lá em baixo… Saltava alegremente…
Parecia sorrir, de ver meu rosto de espanto… Sorrir, certamente ria-se de mim…
Da minha cara de tonto, sem falar, aquele ser deitou-se a meu lado.
Apenas acariciando o meu rosto uma e outra vez, a sua pele gelada, o seu toque húmido…
Arrepiava todo o meu corpo, não consegui não deixar de olhar, não consegui… não amar.
Como se pode não amar… aquilo que faz a Vida valer a pena.
Números talvez… apenas algarismos, tecidos de forma variadas sem qualquer significado.
Pois… para os cegos essa é mesmo a verdade. Não vale a pena ensinar a um cego as cores, que ele nunca viu… Um mundo velho este, onde eu já vivia desde que nasci… e que este ser… veio viver…
Eu tentei abrir a boca para dizer alguma coisa… mas as palavras não saiam.
Aquele espírito da água, levantou-se… colocou suas pernas em cima de mim… e com os pois dedos colocou-os na minha boca… eu respeitei e fiz silêncio.
Despiu então sua camisa de seda, e um bando de pequenos pássaros levantou-a no ar, desaparecendo com as suas vestes entre os ramos das árvores.
O Sol brilhava por trás dela… Os raios de Sol, espreitavam por entre os seu cabelos, e o vento fazia dançar os seus cabelos compridos no mesmo movimento ondulante que o dos ramos que nos cobriam.
Deitou-se sobre mim e voltou a beijar-me e como numa dança, acompanhada por uma orquestra de duendes, fadas, elfos e outras criaturas, fizemos o amor.
Não sei quanto tempo, dançamos… na verdade… não importa… aquela pedra, passou a ser uma cama…
Importa o que senti e sinto… Importa o lugar e tudo o que ele é… Importa a magia que impregna todo esse lugar.
Ainda hoje vou lá muitas vezes, ainda hoje está lá escondido um sino… guardado por um pequeno ser… Quem sabe um dia volte lá busca-lo… Gosto de pensar que à noite aqueles seres todos, correm riem e saltam, pelo que viram um dia, quando o rio tomou vida. Eu sei que tocam aquele sino… de loiça… E fazem brilhar de alegria todos os que por vezes dizem ouvi-lo por lá.
Se andarem por esses ribeiros, e ouvirem um sino tocar… Estão perto de um quarto, com uma cama de pedra onde uma vez uma fada da água veio a meu encontro… e relembrou que a vida é mágica.
Uma Cama de Pedra mágica… o seu número… 1.