sábado, 20 de agosto de 2011

A lagartixa e o tempo.


Como lagartixa…
Caminho na ponta dos pés.
Chiu… não quero acordar,
Aquele que dorme…
Chiu… ainda não é tempo…
Num tapete de luz…
Percorre o tempo…
Mas é cega a salamandra…
O tempo passa…
O carrasco espera…
Desde a primeira centelha,
Espera pacientemente.
Mas o tempo,
está sempre há frente.
Ele não sabe… mas já perdeu.
Pois o tempo…
O tempo tem um segredo…
O tempo é um segredo.
E a lagartixa tonta,
Com a ligua de fora,
Dedo após dedo,
Caminha para não acordar o tempo.
Mas, ele finge dormir…
E está,
sempre um passo,
Sempre um dia,
Sempre um mês,
Sempre que olha.
A lagartixa trás ele,
Desvia o olhar…
Não me vejas tempo…
Pois eu não pertenço aqui.

Apenas números ou talvez não...


Um, dois, três…
Lá vou eu outra vez.
Calando a erva molhada,
Meus pés descalços,
Perseguindo o que sinto…
Quatro, cinco…
Ninguém sabe o que sinto…
Todos pensam saber.
Mas a verdade…
apenas quero desaparecer.
Seis, sete…
Para acordar noutro lado…
Emergir de um estado…
Como borboleta da crisálida.
Oito… oito… oito…
Por vezes não penso escrevo.
Na verdade…
Nunca penso… apenas escrevo.
E depois, ao reler…
Fui eu que escrevi?
Claro que sim…
Claro que não.
Branco ou preto…
Nada, simplesmente…
Infinito.

Quero apenas ser...


Deitado na erva,
Passo a mão…
acariciando-a…
sinto a sua frescura,
textura,
e um sorriso ilumina
meu sentir.
Olho para os trevos,
Desejo ter o seu tamanho…
Simplesmente para me perder,
Por entre estes cabelos verdes.
Entrançar, tecer, roupas…
Vestir-me de Ti…
Perder-me em Ti…
A verdade… perder de tudo…
Desaparecer,
Ninguém me ver…
Longe do olhar,
Ter apenas o tamanho
de um trevo.
Nem quero…
que tenha quatro folhas.
Já nada quero…
Apenas ser triste…
Não quero ser feliz…
Quero apenas,
que me deixem em paz.
Mas Alguém me ouviu dizer:
-Quero ser feliz?
Quero ser verdadeiro, amar e ser amado…
Lutar até morrer pela verdade.
Mudar o mundo se necessário…
Todos são felizes…
Eu não…
Mas eu nunca disse que queria ser feliz.
Tristes dos que pensam que são felizes.
Vivendo na mentira e da mentira.
Prefiro viver do sonho…
Prefiro não ser feliz…
Prefiro desejar ser do tamanho de um trevo.
E correr que nem louco,
Viver que nem louco…
Mas não aqui…
Não aqui.

Sonhar...


A Vida é feita de cores.
Pensamos saber tudo dela…
Na verdade,
Ela sabe tudo de nós.
Apenas somos o que somos.
Nada num mundo de nada.
Somos Silêncio,
Num Universo de ruído.
Cegos num mundo de Luz.
Como queremos nos ser.
Como ousamos dizer…
Somos nada…
Somos aquilo que acabamos.
Apenas uma mão cheia de pó.
Nem em nós mandamos.
Apenas nos limitamos,
A correr ou andar numa estrada.
Cercada de muros que nos levam…
Sempre ao mesmo Lugar.
Que somos nós se não cordeiros.
Que podemos nós sonhar?
Só com uma coisa,
Meus irmãos.
Liberdade.
Apenas sonhar em Ser,
de cor Anil.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O Nascimento de uma Fada


O que vos vou contar, não é segredo…
É apenas mais uma história, de um mundo de coisas, que são e não são… Que existem sem existir, são coisas do ser e não do ter. Pois não se pode ter o mundo, mas podemos ser parte dele, ser parte da sua Alma.
Fechamos os olhos e abre-se um mundo que existe ao nosso lado e só vemos realmente quando esquecemos tudo, até nós mesmo.
Se o procurares acordado, não o vais encontrar, se te sentir ele irá encontrar-te, depois de lhe pertenceres nada mais será como antes. Mais uma vez vou contar-vos uma história desse mundo.
No tempo em que os rios vão cheios, e tudo fervilha de Vida. As flores, abrem-se procurando a energia do Sol. Depois de uma noite de orvalhada, a frescura da manhã entra pelo pulmões… embriagando-me a Alma, fazendo-me sentir parte daquilo tudo. No Silêncio das coisas dos Homens e na música das coisas de Deus, caminho, como sempre por sendeiros mágicos… Conversando em pensamento, com tudo o que se cruza comigo.
Procurando indícios nas coisas, das coisas, que apenas se sentem e não se vêem.
Encontro uma lagartixa por ali, mesmo junto ao riacho, que me fita nos olhos atentamente.
- Apressa-te! Segue o riacho, junto as pedras, passarás por uma gruta, perdida no tempo… a sua porta está aberta para todos os que sonham, fechada para todos os outros… Está quase…
Mal acabou de dizer isso, correu para dentro de um pequeno buraco.
Calcando as pedras do riacho, seguindo o tapete de musgo, o cheiro da terra molhada, dava-me forças… caminhei durante algum tempo… não resisti e deitei-me naquele musgo, sorrindo por nada, apenas pensava que tolo sou… como posso estar tão bem… apenas por estar aqui deitado, olhando para o brilho do Sol, que espreita entre as ramas das árvores.
- Então… por que esperas? – Novamente uma voz, desta vez, não vi quem falava. Voltei ao caminho.
Encontrei um conjunto de pedras enormes. Impossível passar, pensei eu.
Mas ouvi um barulho abafado… de água… pensei, a gruta deve ter uma entrada. Dei a volta às pedras encontrando, no meio de uma vegetação frondosa, uma pequena abertura para dentro. O meu coração quase parou, entrei… deixei-me escorregar para o seu interior.
Um Palácio, a abertura por onde entrei estava atrás de mim, novamente escondida entre a folhagem. Do meu lado direito um estreito corredor que dá directamente ao rio, e uma outra saída para o outro lado. Estava sem conseguir articular um pensamento… incapaz de mexer um único músculo, o som do ribeiro enchia a pequena sala… Uma voz do outro lado diz: - Está quase, vem.
Ao aproximar-me da outra entrada da gruta, a Luz parecia invadir tudo. Uma luz branca, de um esplendor fora do normal, fria… pura…
Encontrei do outro lado uma pequena clareira, ladeada pelo ribeiro cristalino, e por paredes de rochas plenas de musgo e vegetação. Mas o mágico eram as centenas de borboletas que dançavam em círculo à minha volta, como se de uma coreografia se trata-se. A luz nas suas asas, faziam cintilar tudo, como se de um caleidoscópio se tratasse. Não pensei em nada, caminhava lentamente por aquele tapete de musgo, enfeitado com mil flores silvestres, com uma lufada de ar daquele doce dançar.
Ao chegar ao centro, estavam pousadas no que parecia um pequeno monte de folhas, um tapete de asas brancas, brancas como a neve. Imóveis pareciam estar à espera, inabaláveis esperavam, eu aproximei-me cuidadosamente, até quase lhes tocar.
E mesmo no momento que… explodem em movimento, eu dou dois passos atrás, eram tantas que deixei de ver… por alguns instantes olhava para todo o lado e só via branco, tantas eram as borboletas, que cegaram o meu olhar… desaparecendo ribeiro acima.
Então reparei numa pequena criatura, despida, sentada e enrolada sobre si mesma. Eu continuei imóvel, observando apenas. Uma fada de luz branca, veio do rio tocou as suas costas e quatro asas de cor branca imaculada, surgiram lentamente como se de folhas se tratassem.
Pouco depois a Lua desceu, e teceu no na cor mais preta das noites o mais lindo dos bordados, num negro tão negro, da cor da noite mais escura.
A forma final, lembrava-me uma assas com forma de borboleta, mas com um rendilhar de outros tempos.
Depois o silêncio instalou-se… tudo se calou, tudo sossegou, até o vento. O ribeiro parecia descer nas pontas dos pés.
Eu estava!!!… não tinha palavras para explicar!!!… Apenas fitava toda aquela beleza, e não conseguia sequer pensar.
- Porque esperas? Toca-lhe… vá toca-lhe!!! Insistiu a voz, que me tinha acompanhado na caminhada.
Eu a assim fiz, retomei o andar até aquela criatura, e lentamente ajoelhei-me a seu lado, e coloquei meus lábios na sua fronte. Não sei porquê mas algo me dizia que era isso que faltava.
O calor dos meus lábios acenderam o seu coração, pois poucos segundos depois deste gesto, a criatura abria o seu rosto e corpo, para mim, e o seu coração brilhava. Então esticou suas asas e dançou, sem dizer apenas uma palavra, voou em meu redor, espalhando luz por onde estava, e todas as criaturas cantavam à nossa volta, tudo brilhava… o ribeiro cantava… eu só conseguia pensar fantástico, mágico, estou novamente a sonhar acordado.
Ela não falava, apenas me olhava, algumas fadas pequenas trouxeram duas flores cheias de um liquido doce, ela apontou para mim e fez gesto para beber.
Enquanto bebia, o seu olhar era de tal forma cativante que me fazia esquecer tudo, tudo mesmo… não sabia se sonhava, ou estava acordado… tudo estava confuso.
E voltou a dançar saltitando de pedra em pedra, escondendo-se dentro da gruta, para depois surgir no ribeiro sorrindo… brincando… sem uma peça de roupa e no entanto sem qualquer sentido de vergonha… Mas porque teria que ter vergonha? Que parvoíce…
Passou o tempo, e de repente esvaneceu-se no ar.
E tudo voltou ao normal, voltei pelo mesmo caminho, tudo estava igual… e no caminho pensava… que foi tudo aquilo.
O nascimento de uma fada borboleta, de asas brancas do mais puro branco, bordadas pela lua sua mãe no mais negro dos tons da noite.
Continuo a não saber se foi um sonho, se foi real… Mas gosto de pensar… que é possível a magia… que as fadas existe…
Voltei ao mundo dos barulhos dos homens, sempre acompanhado com o meu livro, onde vou lavrando a minha vida e o meu pensar, para que a memória um dia não me falhe… e o mundo da gente grande esqueça que a magia existe mesmo, está mesmo ao nosso lado.
E só o coração de uma criança a pode ver.
Logo alimentem o vosso coração de criança e deixem a magia entrar.

António Cavaco

Eu a NÚ...

O dia começou como todos os dias.

Um despertar, de uma noite de sonhos, que inundam constantemente a minha noite.
Fazendo como sempre acordar como me deito, cansado. Por vezes penso mesmo que vivo duas vidas. Uma acordado outra num outro lado. Essa outra surge quando esqueço este corpo, esta prisão que me prende a um mundo de sentir.

Na minha memória tenho presente a primeira vez que tive consciência de mim, aqui, deste lado. Acordar do lado da carne, do lado do sentir… pensar na razão de estar aqui, o sentimento de confuzão e a voz da minha mãe… e lembro-me de sentir…
Vivo fascinado com o sentir desde que me lembro. Lembro-me da cigana que me leu a sina, de todas as vezes que acordei apavorado, com o que sentia e via… O medo que se entranhava em mim, quando acordava e acordado… ficava preso entre dois mundos. Um pavor para uma criança, que mal aprendeu a sentir… Os meus pais acompanhavam tudo, principalmente a minha mãe. Mesmo sem perceber, estavam lá… e me passeavam às altas horas da noite, para que eu me reencontrasse. O tempo passou e o medo passou, acostumei-me a ser uma mistura de cá e lá… deixei de temer o outro lado nada mais temi aqui.

Descobri que só há uma Verdade, que tudo o que nos rodeia é feito á medida de poucos, que controlam a vida de todos e os sistemas sociais são música de embalar… para beneficio de uns poucos… mas supostamente para todos. Que o dinheiro nos dá um segurança falsa de ser Deus, e quanto mais dinheiro temos, mais pensamos que podemos tudo… O poder o ser é hoje medido em Moeda.

Descobri assim, que os mais pobres, são aqueles que nos seus palácios, plenos de felicidade… pensam que são invejados por todos… mas a verdade navegam de moeda em moeda de lugar em lugar procurando a felicidade… infelizmente nunca a vão encontrar, pois esse não é definitivamente o caminho. Vivem de medo em medo, de incerteza em incerteza. Crianças que vão de brinquedo em brinquedo sem nunca saciar a necessidade de ter e sempre cada vez mais vazio. Estas pessoas muitas vezes são tão pobres como o mais pobre dos pobres, mesmo tendo tudo.
Nunca quis esse caminho para mim… logo procurei em todos os lados a razão de Viver.
Pois olhava á volta e apenas via cadáveres que se alimentam, trabalham, dormem e procriam… bebem… vagueiam, completamente vazios… ostentando e mostrando… afirmando-se ou por falar mais alto, pela arrogância, pelo poder que o dinheiro dá… ou pelo poder da mentira.

Decidi-me pelo sentir, e seguir o pior dos caminhos, viver em verdade, e na procura constante da primeira Verdade, aproveitando a vida como uma personagem de um livro. Seguindo unicamente o que sinto, sem medo do que os outros pensam e sim sempre na Verdade. De aventura em aventura de tesouro em tesouro tentando encontrar a razão primeira de estar aqui.

A primeira coisa a saber, o inferno é a mentira, se querem saber se o mal existe, basta seguir a mentira… quem mente tem mais sucesso é mais "feliz", tende apenas a preocupar-se consigo, mesmo que diga que mente pelo bem-estar dos outros. Este para mim é o pior mal do mundo, e é este mal que como meu exemplo tento banir da terra.

Um noite olhando para cima, para aqueles pontos cintilantes, que nos fitam, pensava:
Quantas Estrelas há no céu? A resposta que me ocorreu prontamente; - Tantas como as lágrimas do meu sentir.

Assim o sentir é a razão de viver, e do sentir três são realidades a seguir, Fé, Esperança e Amor.
Sentir a Fé, de que nem tudo o que vemos é na realidade, e temos que despertar esse sentir para procurar além do que simplesmente vê-mos com os nossos órgãos dos sentidos. Principalmente os olhos, ouvidos e mãos.

Sentir a esperança, procurando aqueles que sabem que a vida é feita de pequenas coisa que nos fazem sorrir, sabendo que, há mais gente que é diferente e que um dia o mundo voltará ao caminho da Verdade.

Amor, talvez o mais difícil de explicar hoje, pois a carne está mais presente, do que o que sente. Não acredito no amor livre, no petiscar da carne. Acredito no Amor em todas as suas formas… mas acho que deixo esse sentir para outra altura, pois é o mais complicado dos sentimentos e também é o mais forte.

Em poucas palavras este sou eu… despido de tudo o que não é, vestido de tudo aquilo que sinto.
Com um único caminho na vida a Sabedoria dada pela aplicação do conhecimento e do sentir, sempre em função dos outros.

Sempre com o Sentir do mundo em mim, e esperando o dia em que o Império do espirito Santo, volte a Brilhar. Volte a nascer no homem o desejo se ser livre na Verdade, na Honra ao serviço dos outros, não por mim senhor mas sim em vosso nome.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Doce Certeza


Por essa vida fora hás-de adorar
Lindas mulheres, talvez; em ânsia louca,
Em infinito anseio hás de beijar
Estrelas d´ouro fulgindo em muita boca!

Hás de guardar em cofre perfumado
Cabelos d´ouro e risos de mulher,
Muito beijo d´amor apaixonado;
E não te lembrarás de mim sequer...

Hás de tecer uns sonhos delicados...
Hão de por muitos olhos magoados,
Os teus olhos de luz andar imersos!...

Mas nunca encontrarás p´la vida fora,
Amor assim como este amor que chora
Neste beijo d´amor que são meus versos!...

Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"


domingo, 7 de agosto de 2011

Adormecer

Perdido por ai,
Esperando…
Mais uma vez fui surpreendido
Pelo meu pensar.
Sentindo o adormecer do dia,
Vi um fechar de olhos…
Tão… mas tão familiar.
Por vezes, dou comigo…
Á noite ao deitar o meu Sam,
Fico paralisado,
Sentido o seu respirar,
Fitando meu rebento…
Enquanto fecha
seus pequenos olhos…
Lentamente,
Já Semicerrados, vai, por vezes…
Espreitando…
Ao ver que ainda estou ali,
Sorri.
Foi isso que senti,
Hoje a mesma calma,
o mesmo sentir…
O dia Adormeceu a meu colo,
Com a visita de um casal de Noitibó…
Que por ali brincava…
Mais tantas criaturas da noite,
Que apenas ouvia.
Acompanhadas pelo vento fresco.
Fui à procura de nuvens,
De um por do sol, talvez,
Encontrei um adormecer.

A Cama de Pedra

A água é um ser sagrado, tal como o Sol e a Terra, produz um triângulo de amor… Que permite a vida.
Assim todos os momentos que posso fugir do mundo dos homens, deixo que estes três elementos me acarinhem, me envolvam em seu ventre e me deixem entrar num mundo que não é meu.
Vedado à cegueira dos homens, porque esqueceram a humildade e o sabor das coisas simples, como Amar.
O que vos vou contar hoje é apenas o seguir de um beijo.
A vida é feita de coisas mágicas, Momentos mágicos…
Passo, e mais um passo…
Bebendo da música que só um ribeiro pleno de vida pode compor.
As gotas de água que saltam de rocha em rocha, os salpicos… que voam para as folhas, escorregam por elas para voltar ao ribeiro em grande algazarra… o nevoeiro produzido por uma cascata, faz de uma paisagem só por si… linda… para a tornar em misteriosa, mágica.
Todo este lugar provocou em mim suspirar tão profundo, que quase apaguei o meu fogo de vida…
Faz-me fechar os olhos, e adormecer…
Deitado, entorpecido… embebido… embriagado talvez de tanta beleza…
Sinto algo na boca, molhado, que escorre pela boca, frio…
Lentamente de olhos semi –abertos…
Acordo...
Um segundo beijo…
Um novo sentir.
A mesma Luz, o mesmo sorriso…
Mas no entanto diferente,
Aquela cascata de água,
Que escorreu pela minha boca, não poderia ser um beijo!!! Ou talvez fosse!!!
Será que a alma do ribeiro, se desviou do seu caminho, apenas para me beijar?
Fez esquecer tudo… A água, que lá em baixo… Saltava alegremente…
Parecia sorrir, de ver meu rosto de espanto… Sorrir, certamente ria-se de mim…
Da minha cara de tonto, sem falar, aquele ser deitou-se a meu lado.
Apenas acariciando o meu rosto uma e outra vez, a sua pele gelada, o seu toque húmido…
Arrepiava todo o meu corpo, não consegui não deixar de olhar, não consegui… não amar.
Como se pode não amar… aquilo que faz a Vida valer a pena.
Números talvez… apenas algarismos, tecidos de forma variadas sem qualquer significado.
Pois… para os cegos essa é mesmo a verdade. Não vale a pena ensinar a um cego as cores, que ele nunca viu… Um mundo velho este, onde eu já vivia desde que nasci… e que este ser… veio viver…
Eu tentei abrir a boca para dizer alguma coisa… mas as palavras não saiam.
Aquele espírito da água, levantou-se… colocou suas pernas em cima de mim… e com os pois dedos colocou-os na minha boca… eu respeitei e fiz silêncio.
Despiu então sua camisa de seda, e um bando de pequenos pássaros levantou-a no ar, desaparecendo com as suas vestes entre os ramos das árvores.
O Sol brilhava por trás dela… Os raios de Sol, espreitavam por entre os seu cabelos, e o vento fazia dançar os seus cabelos compridos no mesmo movimento ondulante que o dos ramos que nos cobriam.
Deitou-se sobre mim e voltou a beijar-me e como numa dança, acompanhada por uma orquestra de duendes, fadas, elfos e outras criaturas, fizemos o amor.
Não sei quanto tempo, dançamos… na verdade… não importa… aquela pedra, passou a ser uma cama…
Importa o que senti e sinto… Importa o lugar e tudo o que ele é… Importa a magia que impregna todo esse lugar.
Ainda hoje vou lá muitas vezes, ainda hoje está lá escondido um sino… guardado por um pequeno ser… Quem sabe um dia volte lá busca-lo… Gosto de pensar que à noite aqueles seres todos, correm riem e saltam, pelo que viram um dia, quando o rio tomou vida. Eu sei que tocam aquele sino… de loiça… E fazem brilhar de alegria todos os que por vezes dizem ouvi-lo por lá.
Se andarem por esses ribeiros, e ouvirem um sino tocar… Estão perto de um quarto, com uma cama de pedra onde uma vez uma fada da água veio a meu encontro… e relembrou que a vida é mágica.
Uma Cama de Pedra mágica… o seu número… 1. 

domingo, 31 de julho de 2011

Solidão

Solidão
Contrariamente ao que se pensa.
Amo estar só.
E talvez… seja mesmo o destino,
De “algo” como Eu…
Acabar só…
Sou… exigente.
Principalmente comigo…
Não sei…quanto tempo…
Estou cansado…
Curiosamente…
Passo horas a escrever…
E rio, pois sei…
não devia fazer.
Mas… Quero um futuro.
Não para mim…
Morrer amanhã…
Por mim, esta bem.
Não me importa…
Não tenho medo algum.
Mas quero um mudo diferente.
Para meus filhos.
Um mundo de Verdade.
Sem máscaras,
Sem mentiras…
Por isso sou assim…
Um tolo… talvez
Se um dia eu desaparecer…
Percebam, depois de ler tudo…
O que aqui deixo…
O que fica, invertido,
Nos meus livros…
Que só o caminho da verdade….
Vale realmente a pena.
O resto é…
Ilusão.

Não ser Eu mesmo

Cegueira
Na verdade…
Amava… ser cego no sentir.
Deus… Porque Eu?
Porque tinha que ser eu.
Imperfeito,
Feio.
Com clareza suficiente,
Para o poder ver.
Porque eu…
Todos os Homens te perseguem…
Mesmo aqueles que…
Que dizem não acreditar.
Porquê Eu?????
Raios…
Estou cansado do Destino.
Das linhas das mãos…
Das Cartas…
Talvez de mim mesmo.
Não sei…
Porquê…
Suspiro… olhando para cima…
Deitado como sempre,
Pelos campos,
Abraçado pelo murmúrio…
Dos riachos,
O canto dos pássaros.
Porquê…
Porque tinha que ser eu…
A Amar todas estas coisas que…
Não são minhas…
Nada minhas…
Mas me são tão fiéis.
E eu feito tolo…
Horas e Horas…
Sozinho, deitado…
Entre ramas e folhas…
Espreitando o melhor do Sol.
Entre o verde das folhas.
Por vezes…
Muitas vezes mesmo…
Penso…
Se não seria melhor…
Não ser Eu mesmo.

Para Nada

A maior parte do tempo
Sinto-me simplesmente perdido.
Assim paro…
No labirinto que sou eu mesmo.
Um sentir doentio…
Uma verdade… sem questão.
Que dolorosa pode ser a verdade.
E dura a prisão…
Que fazemos…
Porque simplesmente…
Não importamos…
Somos nada…
No seio de uma multidão.
De gente cheia de razão.
Contrariar?
Não…
Se alguém tem que ter culpas…
Que seja Eu…
Pois nada sou…
Apenas um amontoado de letras,
Organizadas caoticamente,
Em palavras,
Que alimentam rios…
Rios de frases….
E…
Penso…
Para quê?
Para nada meus Amigos.
Para Nada.

domingo, 17 de julho de 2011

PRIMEIRO BEIJO

Como pode um olhar, transformar-se num Beijo?
A verdade é que mil vezes os olhares trocados denunciavam alguma coisa. O estranho é saber o que se passa. Se os olhares são normais, podem passar a ser incómodos… a ser evitados.
A simples presença, pode fazer sentir que alguma coisa. Eu devia sentir que algo se passava… Quantas vezes… quantas, fugimos apenas de qualquer coisa que desconhecemos, apenas porque não compreendemos.
 Mas o mais difícil é o tocar… como é possível tocar alguém tão profundamente apenas com um olhar?! Por vezes penso que só pode ser magia, ou apenas aquilo que os poetas descrevem como desejo, paixão.
Não…
Nunca…
Nunca alguém que acredita no Amor pode pensar em sentimentos, que morrem com o tempo. Mas a verdade é que o tempo, tem efeitos no sentimento, no homem, que dificilmente são controláveis. Seus pilares, vem de lugares que não conhecemos e não entendemos.
Assim os olhares, tornaram-se cada vez mais profundos. Deixaram de ser necessárias palavras para exprimir aquilo que se pensa, se sente. Impossível esconder que alguma coisa…
Que fazer? Para alguém que acredita em Deus, mergulhar a cabeça na Bíblia de modo a procurar respostas para algo, que, na verdade sabemos não ter resposta ali.
Ou talvez tenha… Tem… Claro que tem.
 Na verdade o tempo foi pouco, na verdade, a procura foi longa… procurei a razão, como pode alguém, ter realmente um destino traçado… Já uma vez tinha tentado escapar, e ele como carrasco me colheu… quando dei conta, ele olhou para mim sorrindo. Novamente… ele parecia olhar para mim… com o mesmo sorriso. Obriguei-me a procurar naquilo que acreditava, um motivo, uma razão… não encontrei. Encontrei sempre mais perguntas… respostas, poucas.
Como pode alguém desejar um beijo proibido, como pode alguém sentir algo… como pode Deus deixar que tal possa acontecer?
A verdade é que os encontros, passaram a ser estranhos, sem contacto, a ligação passou a parecer qualquer coisa inevitável, os dias passaram e os olhares, em vez de mais próximos… distanciaram-se. Estranhamente, o efeito que pretendia inverteu-se, apenas aumentou a curiosidade pelo sentir. Como sempre o meu refúgio foi a palavra de Deus… como sempre voltei aos mesmos textos, à mesma procura fora de mim, de uma resposta que ninguém me poderia dar. Eu sempre soube que não havia resposta… no fundo sabia que não existia resposta em livro algum.
Assim, sem esquecer o caminho do Verbo… tentei ler em mim a resposta. Comecei a procura de uma verdade absoluta que seria universal e que não ferisse de morte a minha fé em Deus.
Fé, Esperança e Amor… Foi ai que… acordei.
Fé, Esperança e Amor… cimentado tudo apenas de uma substância, Verdade.
Que tem isto de história de Amor?
Um Beijo, roubado no silêncio num lugar mágico… consentido, proibido aos olhos dos homens, abençoado aos olhos de Deus.
Como pode ser um beijo ser tanta coisa ao mesmo tempo?!
Pode… um beijo, um apenas, pode parar o tempo, desperta em nós Fé, no Amor maior, Esperança num futuro e sim… que dizer do Amor… que dizer de algo que faz esquecer o mundo, esquecer da vida, esquecer de respirar? É isso um Beijo?
Simplesmente um beijo? Algo demoníaco? Não pode ser.
Somente se não for sentido, somente se for mentira…
A verdade é que o tocar de lábios durou apenas instantes, fez estremecer os pilares de tudo o que sou… como pode algo tão simples fazer o mundo andar para trás, como pode parar o Tempo.
Não sei… Não sei mesmo… mas a sentir da pele macia dos lábios, o corpo caído sustentado pelos meus braços, os olhos semicerrados… o silêncio que se seguiu… a cumplicidade… sem sermos cúmplices.
Passou-se algum tempo até se repetir… e a verdade é que foi estranho… e tão mágico.
Aprendi que a Verdade… Não está só no que a sociedade diz, mas sim no que sentimos.
E um beijo por vezes…
Tem o poder de transformar o Mundo.

A.C.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Dizer Amor


Dizer Amor…
Falar de Amor
Amo-te…
acima de tudo é…
simplesmente isso.
tão simples,
como pode ser:
um amanhecer…
um acordar…
o desabrochar de uma flor…
Nunca se ama demais,
Ama-se sempre pouco.
Eu, amo como gosto.
Não amaria
de qualquer outra forma.
Amar é ser simples,
Cru e nu…
Por ser simples…
Por ser verdade…
Amar é como a Verdade…
Uma nudez…
Do Ser…
Que por vezes esquecemos,
vestimos,
de outra coisa qualquer…
Mas Amar…
Só há uma forma de Amar.
Sentido o todo como um,
o um como um todo.