domingo, 31 de julho de 2011

Solidão

Solidão
Contrariamente ao que se pensa.
Amo estar só.
E talvez… seja mesmo o destino,
De “algo” como Eu…
Acabar só…
Sou… exigente.
Principalmente comigo…
Não sei…quanto tempo…
Estou cansado…
Curiosamente…
Passo horas a escrever…
E rio, pois sei…
não devia fazer.
Mas… Quero um futuro.
Não para mim…
Morrer amanhã…
Por mim, esta bem.
Não me importa…
Não tenho medo algum.
Mas quero um mudo diferente.
Para meus filhos.
Um mundo de Verdade.
Sem máscaras,
Sem mentiras…
Por isso sou assim…
Um tolo… talvez
Se um dia eu desaparecer…
Percebam, depois de ler tudo…
O que aqui deixo…
O que fica, invertido,
Nos meus livros…
Que só o caminho da verdade….
Vale realmente a pena.
O resto é…
Ilusão.

Não ser Eu mesmo

Cegueira
Na verdade…
Amava… ser cego no sentir.
Deus… Porque Eu?
Porque tinha que ser eu.
Imperfeito,
Feio.
Com clareza suficiente,
Para o poder ver.
Porque eu…
Todos os Homens te perseguem…
Mesmo aqueles que…
Que dizem não acreditar.
Porquê Eu?????
Raios…
Estou cansado do Destino.
Das linhas das mãos…
Das Cartas…
Talvez de mim mesmo.
Não sei…
Porquê…
Suspiro… olhando para cima…
Deitado como sempre,
Pelos campos,
Abraçado pelo murmúrio…
Dos riachos,
O canto dos pássaros.
Porquê…
Porque tinha que ser eu…
A Amar todas estas coisas que…
Não são minhas…
Nada minhas…
Mas me são tão fiéis.
E eu feito tolo…
Horas e Horas…
Sozinho, deitado…
Entre ramas e folhas…
Espreitando o melhor do Sol.
Entre o verde das folhas.
Por vezes…
Muitas vezes mesmo…
Penso…
Se não seria melhor…
Não ser Eu mesmo.

Para Nada

A maior parte do tempo
Sinto-me simplesmente perdido.
Assim paro…
No labirinto que sou eu mesmo.
Um sentir doentio…
Uma verdade… sem questão.
Que dolorosa pode ser a verdade.
E dura a prisão…
Que fazemos…
Porque simplesmente…
Não importamos…
Somos nada…
No seio de uma multidão.
De gente cheia de razão.
Contrariar?
Não…
Se alguém tem que ter culpas…
Que seja Eu…
Pois nada sou…
Apenas um amontoado de letras,
Organizadas caoticamente,
Em palavras,
Que alimentam rios…
Rios de frases….
E…
Penso…
Para quê?
Para nada meus Amigos.
Para Nada.

domingo, 17 de julho de 2011

PRIMEIRO BEIJO

Como pode um olhar, transformar-se num Beijo?
A verdade é que mil vezes os olhares trocados denunciavam alguma coisa. O estranho é saber o que se passa. Se os olhares são normais, podem passar a ser incómodos… a ser evitados.
A simples presença, pode fazer sentir que alguma coisa. Eu devia sentir que algo se passava… Quantas vezes… quantas, fugimos apenas de qualquer coisa que desconhecemos, apenas porque não compreendemos.
 Mas o mais difícil é o tocar… como é possível tocar alguém tão profundamente apenas com um olhar?! Por vezes penso que só pode ser magia, ou apenas aquilo que os poetas descrevem como desejo, paixão.
Não…
Nunca…
Nunca alguém que acredita no Amor pode pensar em sentimentos, que morrem com o tempo. Mas a verdade é que o tempo, tem efeitos no sentimento, no homem, que dificilmente são controláveis. Seus pilares, vem de lugares que não conhecemos e não entendemos.
Assim os olhares, tornaram-se cada vez mais profundos. Deixaram de ser necessárias palavras para exprimir aquilo que se pensa, se sente. Impossível esconder que alguma coisa…
Que fazer? Para alguém que acredita em Deus, mergulhar a cabeça na Bíblia de modo a procurar respostas para algo, que, na verdade sabemos não ter resposta ali.
Ou talvez tenha… Tem… Claro que tem.
 Na verdade o tempo foi pouco, na verdade, a procura foi longa… procurei a razão, como pode alguém, ter realmente um destino traçado… Já uma vez tinha tentado escapar, e ele como carrasco me colheu… quando dei conta, ele olhou para mim sorrindo. Novamente… ele parecia olhar para mim… com o mesmo sorriso. Obriguei-me a procurar naquilo que acreditava, um motivo, uma razão… não encontrei. Encontrei sempre mais perguntas… respostas, poucas.
Como pode alguém desejar um beijo proibido, como pode alguém sentir algo… como pode Deus deixar que tal possa acontecer?
A verdade é que os encontros, passaram a ser estranhos, sem contacto, a ligação passou a parecer qualquer coisa inevitável, os dias passaram e os olhares, em vez de mais próximos… distanciaram-se. Estranhamente, o efeito que pretendia inverteu-se, apenas aumentou a curiosidade pelo sentir. Como sempre o meu refúgio foi a palavra de Deus… como sempre voltei aos mesmos textos, à mesma procura fora de mim, de uma resposta que ninguém me poderia dar. Eu sempre soube que não havia resposta… no fundo sabia que não existia resposta em livro algum.
Assim, sem esquecer o caminho do Verbo… tentei ler em mim a resposta. Comecei a procura de uma verdade absoluta que seria universal e que não ferisse de morte a minha fé em Deus.
Fé, Esperança e Amor… Foi ai que… acordei.
Fé, Esperança e Amor… cimentado tudo apenas de uma substância, Verdade.
Que tem isto de história de Amor?
Um Beijo, roubado no silêncio num lugar mágico… consentido, proibido aos olhos dos homens, abençoado aos olhos de Deus.
Como pode ser um beijo ser tanta coisa ao mesmo tempo?!
Pode… um beijo, um apenas, pode parar o tempo, desperta em nós Fé, no Amor maior, Esperança num futuro e sim… que dizer do Amor… que dizer de algo que faz esquecer o mundo, esquecer da vida, esquecer de respirar? É isso um Beijo?
Simplesmente um beijo? Algo demoníaco? Não pode ser.
Somente se não for sentido, somente se for mentira…
A verdade é que o tocar de lábios durou apenas instantes, fez estremecer os pilares de tudo o que sou… como pode algo tão simples fazer o mundo andar para trás, como pode parar o Tempo.
Não sei… Não sei mesmo… mas a sentir da pele macia dos lábios, o corpo caído sustentado pelos meus braços, os olhos semicerrados… o silêncio que se seguiu… a cumplicidade… sem sermos cúmplices.
Passou-se algum tempo até se repetir… e a verdade é que foi estranho… e tão mágico.
Aprendi que a Verdade… Não está só no que a sociedade diz, mas sim no que sentimos.
E um beijo por vezes…
Tem o poder de transformar o Mundo.

A.C.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Dizer Amor


Dizer Amor…
Falar de Amor
Amo-te…
acima de tudo é…
simplesmente isso.
tão simples,
como pode ser:
um amanhecer…
um acordar…
o desabrochar de uma flor…
Nunca se ama demais,
Ama-se sempre pouco.
Eu, amo como gosto.
Não amaria
de qualquer outra forma.
Amar é ser simples,
Cru e nu…
Por ser simples…
Por ser verdade…
Amar é como a Verdade…
Uma nudez…
Do Ser…
Que por vezes esquecemos,
vestimos,
de outra coisa qualquer…
Mas Amar…
Só há uma forma de Amar.
Sentido o todo como um,
o um como um todo.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

As Nuvens


Estavam de todas
As formas
Feitios
Mudavam de uma forma
Tão subtil
Que pareciam insinuar-se
Fizeram-me corar…
Enrubescer…
Que vergonha,
Senti-me nu…
Mas no entanto…
Era com o Sol,
Que dançavam…
E como eu amei ver
Aquela dança,
Lenta, e Suave,
Como só o vento sabe ser.
Que dizer…
Tivesse eu asas e
Num segundo estaria…
No seu regaço,
Escorregando,
Saltando entre elas…
Dando voltas e voltas.
Mas…
Não sei voar,
Com o corpo…
Assim voei e voei…
Amei…

Ciumes do Sol


Sonhando com o Sol
Fui correr
ver como se escondia
por entre serras
Gigantes de ferro.
No entanto…
Morri ao olhar,
Sentir as nuvens.
Não a Cor…
De azul tão profundo,
Que inundou a Alma.
Nem tampouco o brilho do Sol
Escondendo-se entre elas.
Amei… Amei a maneira,
Como sorriam,
Não para mim,
Apenas brincavam entre elas…
Mudando de forma,
Abraçando o Sol,
Como se um lenço,
Da seda mais azul,
Com brilhos aqui e acolá.
Amei realmente a forma…
de não ter forma.
Morri de ciúmes do Sol.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Sou Vulgar...


Vulgar
Nesta vida,
Neste lugar,
de todas as coisas
Vizivéis e invizivéis.
A mais importante?!
O Homens.
Formados de características
Vulgares…
Que nos fazem, semelhantes
de coisas invulgares
que nos fazem únicos.
Diz-se que o corpo
nos torna iguais.
A cor nos torna diferentes.
A Alma nos torna especiais.
Esta última
é comparada ao perfume
pois por fantástico o frasco
é a mistura de essência
Que o torna único…
Especial…
Logo que dizer…
Sim, sou tolo
Também sou Vulgar.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Aquela Flor Diferente...


Aquela flor diferente,
Fez parar meu pensar.
Não por ser a mais bonita,
Nem tampouco
A mais perfeita.
Paralisou todo o meu corpo.
Mas que tinha aquela flor?
Era branca, mas não imaculada.
Diria que talvez até vulgar.
Encontrava-se rodeada de mil,
Todas perfeitas… brilhantes.
Então… porque esta mesma.
O seu Perfume.
Sim, o seu perfume…
Inundou meu Ser…
A sua Alma era diferente,
Luminosa, radiante, ofuscante…
Simplesmente, fez-me parar…
E pensar…
Parei por momentos.
Que doce o meu caminhar.
Perguntei-me mas porquê?
Mas porquê um perfume assim?
Depois dei-me conta.
Que Deus colocou
Perfumes no mundo,
Para simplesmente
Dar-mos valor ao simples facto…
De Respirar.